terça-feira, junho 23, 2009

É tempo de envelhecer, cancerianos

Estamos próximos de envelhecer mais uma vez. Todo ano é assim.
Chegam os momentos que antecedem essa data e começam as reflexões. Não me diga que com você é diferente. Pode até ser, mas não irei acreditar, pois pra mim é tão profundo que prefiro achar que todos passam por isso.
Já não sentimos tanto aquela euforia, companheira nos bons tempos de 14 anos. Até buscamos esse sentimento guardado no baú emocional, só que ele não volta. Sentir ou não deixa de ser a questão, o fato é que muda, simplesmente.
Os presentes, pacotes, embrulhos já não representam muito. Queremos amigos, pessoas para compartilhar emoções, idéias e alegrias. Desejamos a presença deles para que possam sentir um pouco da nossa idade, mesmo sendo mais novos ou mais experientes. Juntos, voamos nos pensamentos, imaginando como será daqui a dez anos, vinte e muito mais. Entretanto, uma união sincera nos reúne como se não existisse o amanhã. Compartilhamos o medo de passar para os planos invisíveis e a felicidade de viver o presente.
Comida, sim, uma boa comida para comemorar. O sabor da vida é intenso, com mais pimenta, curry, salsinha, manjericão...
Nesses devaneios de tempos precedentes a data especial, até questionamo-nos se devemos realmente festejar mais um ano. Bobice. É aquele medinho de saber que alcançou uma idade mais avançada, inimaginável na infância. Percebemos que com o tempo o padrão estético imposto pela sociedade vai deixando alguns de lado, outros, nesses parâmetros, ficam mais belos. E nós? No entanto, para quê a preocupação? São, como dito, padrões.
Rabugentos em potencial afloram e os amáveis assumem uma ternura sem adjetivos. Por fim, aprendemos que algumas pessoas consideram-nos rabugentos e outras nos sentem ternos. Ninguém agrada todo mundo e nem por isso deixamos de tentar, nem com a idade.
Boa parte da vida passou e muitos sonhos tornaram-se realidade, só o caminho para alcançá-los foi diferente da imaginação.
Um leve peso nos ombros aumenta aos poucos, para podermos suportar, e chama-se responsabilidade. Vemos um desconhecido senhor ou senhora passando, colocamo-nos imediatamente em seu lugar. Isso não acontecia com freqüência na juventude. Pensamos nas coisas boas experimentadas por ele a ponto de questionarmo-nos sobre nosso aproveitamento. Quase nunca refletimos sobre as antigas malandragens vivenciadas pelo idoso, mas as nossas estarão na lembrança e tenha certeza de que as dele também estão. A velhice nos protege com ar de fragilidade, mesmo que para alguns isso seja desnecessário.
Calma. Talvez não seja ainda o momento de ir tão longe. Mais um ano despontando ou um que se foi? Os dois. Os valores mudam, sutilmente. A experiência acumulada desperta a sensação de vulnerabilidade, potencializando o valor de existir agora. Temos mais certeza do poder das decisões.
Que coisa! Percebemos que não levamos o dinheiro para o caixão, mas que o mesmo, paga o enterro. Então desajeitados equilibramos essa bandeja sem saber o fim da história.
A idade carrega mistérios e nos aproxima de um ponto de interrogação.
Bom é saber da existência dos amigos, a única coisa que acalma o coração.

Ricardo Melo

segunda-feira, junho 22, 2009

Nossos alimentos

Capítulo do livro Eu me lembro..., Mestre DeRose.

Comíamos muitos cereais, raízes, frutas e hortaliças, ovos, leite, coalhada, queijo e manteiga. Algumas tribos do noroeste alimentavam-se também de peixes, mas na nossa região considerávamos primitivismo agarrar um animal, ave ou peixe, matá-lo brutalmente e devorá-lo como fazem os mais selvagens predadores.

Nós nos afeiçoávamos às cabras e búfalos, mas não conseguíamos sentir afeição pelos tigres que matavam e dilaceravam nossos animais e parentes. A maior parte das famílias já havia perdido pelo menos um ente querido morto por algum animal carnívoro. Não podíamos descer ao mesmo nível animalesco dessas feras.

Como observávamos muito a natureza à nossa volta, percebíamos que os animais vegetarianos eram amistosos e podiam ser amansados a ponto de trabalhar conosco; e os deixávamos dormir ao nosso lado sem perigo de sermos atacados por eles no meio da noite. Nenhum animal carnívoro pôde ser domesticado para trabalhar para nós, para ser montado ou para puxar uma carroça. Somente o cão se afeiçoou ao homem e, mesmo assim, não nos dava leite nem puxava nossos arados e só servia para a guarda, muitas vezes representando perigo para nossos vizinhos.

Notamos também diferenças entre as tribos, que podiam ser atribuídas aos hábitos alimentares. O corpo dos que não abatiam animais para se alimentar de suas carnes mortas era mais saudável, a pele bonita e macia, o semblante apaziguado e amistoso. Os do noroeste, além de serem fisicamente mais rudes, quando algo os desagradava aceitavam tranqüilamente sangrar o desafeto, pois estavam habituados a derramar sangue dos animais.

Nossas comidas também eram mais saborosas e aromáticas. Certa vez provamos da comida feita por um clã nômade que nos visitara. Às carnes, é claro, tivemos repulsa e não admitimos colocá-las na boca, até por uma questão de higiene. Mas alguns vegetais que as acompanhavam, aceitamos. Não tinham gosto de nada. Era como se eles achassem que comida era a carne, e que esta não precisava de temperos. O resto não merecia nenhum cuidado especial. Quando lhes oferecemos nossos vegetais preparados em fornos, com leite e manteiga, condimentados com ervas e sementes aromáticas, largaram de lado a deles e preferiram a nossa comida. Também nos pareceu que não conheciam a arte de fazer pão, pois, sendo nômades, não plantavam os cereais e, assim, davam preferência à caça e à pesca.

Tínhamos vários tipos de pão, cada qual com uma seleção de grãos e ervas, e com um formato diferente. Porém, era sempre pesado e duro. Quando perguntei à minha mãe se não podia ser mais macio, ela riu, fez uma careta e não me respondeu. Fiz-lhe outra careta e continuei mastigando meu pedaço de pão. Mais tarde, descobri que podia deixá-lo um pouco no leite e conseguia a maciez desejada.

Uma iguaria que preparávamos era uma combinação de grãos, deixados de molho em água e ervas aromáticas durante a noite. No verão, comíamos esse prato cru, acompanhado de coalhada. No inverno, o cozinhávamos e nos servíamos dele ainda fumegando.

Nossa família tinha um carinho especial por um arbusto que dava umas sementes redondas, escuras e brilhantes, que eram moídas e guardadas para serem adicionadas a algumas receitas. Além de perfumar o alimento e enriquecer o sabor, dizia-se que tinha a propriedade de aumentar a energia para o trabalho e evitar doenças.


Por DeRose

www.uni-yoga.org/blogdoderose

quinta-feira, junho 04, 2009

Um mal hábito

Sim, reclamo,
Do mundo ao meu redor,
Das pessoas, mesmo que por menor,
Simplesmente manifesto meus anseios não realizados,
Palavras e energia ao mundo jogados,
Verbalizo minhas expectativas não preenchidas,
Incompetências e falta de habilidades,
Reclamo,
Se estou no lugar errado,
Ao lado,
Dos que não eram pra estar,
Infelizmente não estou só,
Acompanho,
Todos os mundanos do mundo das reclamações,
Seres que habitam a Terra dos mal sucedidos,
Por isso luto,
Luto, condolências e pêsames,
Aos que assim já se encontram,
Luto contra minha mente para não reclamar,
E ser diferente.
Um diferente sapiens sapiens.

Ricardo Melo

quarta-feira, junho 03, 2009

Fest-Yôga em Florianópolis

Tivemos neste último fim de semana mais um Festival Internacional de Yôga em Florianópolis.
Trata-se de um tradicional evento que conta com a presença das maiores autoridades do Método DeRose no mundo. Representantes de diversos países marcaram presença e, com muito carinho, compartilharam suas experiências através de aulas práticas, vivências, conversas, cursos etc.
Mais de 600 praticantes, Instrutores, Professores e Mestres.
Muita festa, cultura e desenvolvimento pessoal! Essa é a nossa família.
Destaque para o curso Chakras e Kundaliní, com o Educador DeRose, que é meu Mestre e Supervisor. Obrigado Mestre, por esses belos momentos, e por ter lutado tanto para conquistar seus sonhos. Graças a essa perseverança várias pessoas mudaram seus percurssos e tornaram-se mais lúcidas.
Saudades dos meus amigos de longa data, três dias não são suficientes, por isso, em breve nos veremos em algum outro evento!
Um abraço apertado a todos.

Ricardo Melo

segunda-feira, maio 25, 2009

Ao Garoto artista, até que descubra seu verdadeiro nome

Estava feliz na Lagoa da Conceição, em um ambiente bem freqüentado em Florianópolis, onde desfilam diversas pessoas interessantes. Trata-se de um tradicional café da cidade, espaço reconhecido por agregar um ótimo nível cultural e por receber visitas constantes de estrangeiros. O local é realmente muito acolhedor e merece toda badalação.
Neste dia, um amigo canadense acompanhava-me. Comíamos uma sopa deliciosa, seguida de uma sobremesa que não é digna de minha descrição, pois faltariam adjetivos.
A conversa era agradável, um momento aparentemente rico e pleno.
Em dado momento, um jovem artista, que freqüenta alguns cafés da Lagoa em busca de clientes para realizar suas caricaturas, nos abordou com sutileza.
Não fora a primeira vez que o vi passando por ali. Aliás, ele evoluíra consideravelmente em sua abordagem, mesmo apresentando bastante dificuldade cognitiva. Creio que algumas pessoas já estejam dando dicas para que consiga se superar.
Eu, no entanto, tive mais uma vez a oportunidade de contribuir e congelado não fiz nada, assim como a maioria esmagadora naquele dia.
Discretamente, pediu-nos licença, e com voz tremula perguntou: _ Posso fazer uma caricatura de vocês?
A resposta padrão, aquela criada inconscientemente para não se identificar com a dor alheia, logo soou no ar do café. _ Não muito obrigado amigo, hoje não, respondi. A mesma dita por vários outros naquele dia.
E tremendo, com medo, o jovem argumentou: _ Por favor, só para viabilizar minha passagem de ônibus até em casa.
_ Não, muito obrigado, hoje não. Respondi.
O garoto possui suas peculiaridades. Nem por isso é deselegante, muito pelo contrário.
E se alguém faltou com educação naquele momento, obviamente fui eu. Não pelo fato de negar sua oferta, mas pela situação.
Compartilho essas palavras porque nós, a grande maioria, faz o mesmo, ou até pior quase todos os dias.
Costumo me esforçar muito para colocar-me na pele dos outros. Trabalho com pessoas, sou fascinado pela mente humana, por emoções. E mesmo assim cometo deslizes. Estou longe de ser o salvador da sociedade e nem possuo pretensões como essa. Como alguém que busca o autoconhecimento, foi afirmada minha imaturidade.
Sugiro reflexões perante este episódio, a fim de instigá-los a uma nova atitude. O garoto merecia aquela resposta, aquele tom de voz quase automático? (Para quem fala não parece automático, mas quem ouve com certeza tem outra percepção). Meu amigo poderia ter ajudado ao invés de consentir com minha resposta? Os colegas das mesas ao lado perderiam muito se tivessem parado um pouco suas conversas para penetrar o sentimento daquele garoto? Alguém perguntou o nome dele? Faltava dinheiro no meu bolso para pagar-lhe uma passagem de ônibus? E no bolso dos demais?
Entenda o Garoto artista como uma personagem do seu cotidiano. Um membro da sua família pelo qual você não se interessa muito, um colega de trabalho com pouca afinidade, alguém que você conhece em local público, pessoas com dificuldade de inclusão social, idosos etc.
A constatação de hoje é mais uma daquelas tradicionais, a de que mesmo nos esforçando muito, ficamos congelados e duros, influenciados pelo nosso pequeno mundo, um egoísmo disfarçado em nossos trejeitos. Uma sensação embalsamada e lacrada para que nós mesmos não tenhamos acesso. Talvez uma forma de não adoecer vendo tanta diferença social e injustiça. Ou, quem sabe, mais um condicionamento que nos cega.
Garoto artista, não vejo a hora de voltar ao café, de estender-lhe minha mão e perguntar seu nome. Imagino o momento de ter a honra de ser desenhado por você. Já visualizo meu grande nariz sendo esculpido pela sua mão e um sorriso enorme por poder-lhe ajudar.
Só peço, por gentileza, que não faça uma caricatura da minha pobreza de espírito naquele dia. No entanto, possui esse direito, pois será um desenho mais real do que a própria imagem que olhei no espelho quando cheguei em casa. Meu reflexo é obliterado pela minha própria interpretação e naquele instante você me viu mais real do que eu mesmo enxerguei.
Parabéns pela sua superação e por me ensinar mais uma lição na vida.
Se você é artista e oferece seu desenho a mim, retribuo com um texto especial que levarei impresso com esperança de reencontrá-lo. Quero scannear sua arte e colocar aqui no meu blog. Um forte abraço.

Ricardo Melo

quarta-feira, maio 13, 2009

terça-feira, maio 05, 2009

Não é lindo?

O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade

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Olá queridos leitores, amigos, alunos etc.
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O destino da imagem você irá descobrir em breve...

Um abraço!

sábado, abril 25, 2009

Mais do que imaginamos, menos do que poderíamos

Somos mais pacientes do que imaginamos
Poderíamos ainda ser mais do que somos
Uma das coisas preciosas que a vida insiste ensinar todos os dias é ter paciência
Ser paciente pode significar muitas coisas
Prematuramente será paciente no hospital aquele que não exercitar a paciência
Paciência não simboliza falta de agilidade
As definições que encontrei no dicionário não me deixaram contente, muito pelo contrário
Então compartilho de um dos meus próprios conceitos de paciência
Sentir-se bem ou conseguir se portar saudavelmente quando todos os recursos possíveis foram aplicados para que o esperado aconteça, mesmo que esse esteja fora do prazo, e ainda, manter-se com bom estado de espírito enquanto buscam-se os recursos (ficará mais claro em seguida)
Poderia criar outros significados, mas basicamente para mim, o que faltou no dicionário foi enfatizar que a paciência na maioria dos casos deve vir atrelada a uma emoção boa
O dicionário até cita isso, mas explora mais alguns termos como: resignado, consentir etc. ou coisas do tipo: “virtude que consiste em suportar os dissabores e infelicidades”, Houaiss.
Até entendo os motivos gramaticais e também os casos em que o exercício de paciência esteja vinculado a alguma doença etc., mas o objetivo aqui é propor uma elevação em nosso comportamento relacionado a coisas do dia-a-dia, principalmente no trabalho e relações
Sejamos, portanto, PPPs, pessoas pacientes plus, donos de uma paciência além do comum
Por maior influencia que possamos exercer, a paciência mostrar-se-á necessária no cotidiano
As máquinas, computadores e outras ferramentas podem nos deixar menos tolerantes
Tolerância e paciência caminham juntas
Às vezes penso que nos identificamos tanto com dispositivos eletrônicos etc. a ponto de achar-nos semelhantes a eles, ou esperamos comportamentos de seres humanos iguais aos esperados de um aparelho qualquer, programa e assim por diante
Ser humano é muito mais complexo, por isso imprevisível
Paciência para saber que as coisas quase nunca chegam prontas para usar, vestir, dirigir etc. Também para saber que tudo estraga, envelhece, acaba e muito mais
A mesma paciência nos relacionamentos
Ou até mesmo antes de começar um! Sim, existem os que começam acabando
Muitos quando querem conquistar alguém
Ficam afobados e sufocam o parceiro
Qual será o próximo passo dessa relação?
Paciência colega, o começo de uma amizade, ou proximidade afetiva determina muitos aspectos da continuidade dela
Muitos que reclamam dentro de uma relação antiga sinalizam carência de paciência lá no começo, pois se expuseram demais, tomaram atitudes indevidas, mostraram-se seres que não eram
Paciência ao ouvir a música Paciência de Lenine, cantor, poeta e compositor
Paciência quando não formos atendidos da maneira que esperávamos
Vale esclarecer: ser exigente não significa impaciência
Pode-se exigir pacientemente, até porque quase sempre o cumprimento da exigência irá favorecer muito mais aquele que necessita melhorar do que o individuo exigente
Opa! Olhei o relógio e lembrei-me de um compromisso
Estou dirigindo e o semáforo a minha frente não abre
Meu celular tocou, fornecedores irão atrasar o pedido
Aquele grande projeto nunca é concluído
O telefone não toca, ou toca demais
Quanto estímulo ao exercício da paciência plus
E quase sempre desperdiçamos!
A paciência torna-se mais fácil quando nos predispomos a ela
Nada mais chato do que viver ao lado de um impaciente
Geralmente são intolerantes, insuportáveis e vários outros “in” alguma coisa
Exercite a paciência consigo mesmo e depois leve para os outros
Paciência para ouvir os outros falarem, demonstração de boas maneiras
Paciência para ler o texto do Ricardo até o fim!
Esse chato que fica escrevendo sobre paciência!
Paciência tem limite, não? Se sua resposta é sim, estenda-o...

Ricardo Melo

domingo, março 22, 2009

A ansiedade de não tê-la

São 5:35 da manhã, Acabo de ver e aprovar sua primeira indicação, Um filme de fato emocionante, arrebatador, Uma verdadeira lição. São 5:36, Já passa da hora de dormir, Está perto do momento de acordar, Mas algo me deixa inquieto, O dia acabou sem ter acabado, Um dia sem a sua voz, O primeiro depois que reencontramo-nos, Se assim permite-me falar, Quando perguntasses se lembrava da primeira vez que lhe vi, Sorri discretamente e feliz, Adorei a pergunta, A resposta não poderia ser mais ridícula da minha parte. São 5:40, Lembro dos seus olhos, Do seu lindo nariz, Da escultura chamada rosto, Ainda sinto seu toque em minhas costas, Quanta inveja gerou seu carinho. 5:43, Nenhuma mensagem, Apenas o sutil som do piano, repetindo, repetindo, repetindo, Na introdução do filme, O relógio não para, Hoje se arrastou sem o sorriso, Sorriso que ofertas com sinceridade, E que desfrutei em todas nossas poucas conversas. 5:46, Um suspiro, Releio o texto que acabo de escrever, Desaprovo minha criatividade, Mas minhas mãos não param. 5:48, Um canceriano tenta se expressar, Esconde sua fraqueza, Não há o que adorar, Chegou a hora. 5:51, Fecharei meus olhos, Colocar-me-ei a sonhar, Na esperança de experimentar a sensação, Da plenitude que foi tê-la por perto, Talvez meu subconsciente oferte esse presente. 5:55, Desejo-me bons sonhos, Apago a luz, E por alguns instantes, Tudo está claro, Seus olhos ainda brilham em minha mente, Não sei mais que horas são, Sonho acordado, Uso minha imaginação, Beijo seu corpo, Acaricio sua pele, Sinto seu perfume, Perfeito, Em todo meu dia, Esse foi o instante perfeito, Mas isso será pouco após descobrir, Que o verdadeiro ato de estar com você, É mais do que perfeito, E por isso talvez, Eu não consiga dormir. 6:10.
Ricardo Melo

quarta-feira, março 18, 2009

Ruim de despedidas

Não sei se você compartilha desta sensação
Constatei a pouco que sou ruim de despedidas
Péssimo, no meu ponto de vista
Percebi isso de um jeito muito incomum
Depois relembrei de uma série de despedidas e... kabum!
Caiu o fardo em meu colo
Não falo de grandes despedidas
Aeroportos, viagens longas, mortes etc.
São aquelas comuns, corriqueiras
Todos os dias nos despedimos
Saindo do trabalho
Depois de um encontro
Numa conversa pela internet
Sim, foi numa dessas que vi o quanto falta habilidade
Compartilho porque achei que poderia ser o caso de outros
Sinto-me ligeiramente vulnerável ao dar um tchau
Mandar aquele beijinho
Um emoticon talvez
Muitas das vezes a despedida vai e volta
Como se não quisesse ter fim, um rápido jogo
Claro que com pessoas que tenho muita afinidade
Aliás, só acontece com essa premissa
Em encontros de negócios ou começo de amizade sempre é diferente
Já percebi pessoas absurdamente perfeitas nas suas despedidas
Até naquelas mais difíceis
Sempre possuem uma frase diferente
Não repetem a atitude
São naturais, incríveis
Existem aqueles chatos que sempre usam o mesmo texto
Tchau, bom descanso
Ou durma bem, sonhe comigo
Pior são os que se despedem de você
Viram-se para o lado e fazem o mesmo com outrem, da mesma forma!
A despedida deve ser personalizada
É uma separação
Mas que deixa aberta a porta para um possível retorno
Deve consolidar os bons momentos de união
Ou até mesmo apartar uma situação de cólera
A despedida pode deixar aquele gostinho de quero mais
Quem não tem habilidade faz o contrário
Acena tardiamente, aí, lá se vai o colega saturado
Despedir-se com uma piadinha pode ser fatal, nos dois sentidos
Se acertar a brincadeira, ganhou, senão...
Há aquela clássica, depois de falar muitas besteiras
Desculpe qualquer coisa
Ou ficou mudo durante todo o encontro e diz
Foi um prazer
Que prazer foi esse?!
Aquele aperto de mão de Maria-mole
A mão áspera
O abraço safado, carinho no nariz
A limpadinha no rosto, o arrumar a gola do colega
Beijo roubado, virada do rosto na hora errada
Três beijos? Dois beijos? Um beijo?
Melhor é definir a estratégia e ser convicto
Alguns saem com uma despedida em outra língua
See you soon, adieu”...
Os políticos se despedem o tempo todo sem nem ter se relacionado diretamente
Abanando a mão e sorrindo
Opa, sorriso é parte fundamental na maioria das vezes
Despedimo-nos após uma apresentação em público
Flexionamos o tronco para frente aos aplausos
Tem aquele abraço que estala as costas
O abraço que os quadris ficam distantes, muito feio por sinal
Aquele que esmaga os seios, pior ainda
O suado, frio, ofegante, cabelo na boca, perfumado
Ahh... o perfumado é bom
Merece minhas reverências e um beijo no pescoço
Não sugiro aos homens tentar
As mulheres, todavia, sintam-se a vontade caso possuam afinidade conosco
Tem aquela despedida geral, sem passar por cada um
Saída à francesa
Têm à italiana, quando sai todo mundo feliz e parece que estão brigando
O romântico, sempre exagerando
Gentleman, que nunca erra o momento e a forma
E ainda por cima deixa as mulheres nas nuvens
Aperto de mãos dos “manos”, soquinho no fim
Na oficina, você aperta o antebraço do mecânico para não sujar a mão

Tchau

OBS: Avisei que não tinha habilidade.

Ricardo Melo

domingo, março 15, 2009

Saudades de um breve amor

Meu breve amor
Supero o último receio para escrever-te
Sim, grave é minha situação
Tenho medo de rever-te e não reconhecer
De ouvir-te sem conseguir falar
Fostes mentindo a volta
Até agora, só fotos para relembrar
Meu coração endurece empoeirado
Ao contrário do retrato amolecido em minhas mãos

Meu breve e louco amor
Saudade guardada durante muito tempo azeda
Arde o desejo de rever-te
Disseram-me que esperança é a última que morre
Pra mim, a primeira que mata

Meu breve e morto amor
Ressuscita a chama que a distância quase apagou
Meus pulmões perderam a força
Já não acordam as labaredas do sonho anterior
Devolva-me o fôlego de mergulhador
Trazendo teu corpo apelidado oceano

Meu breve e longo amor
Esquecerei esta pausa de olhares
Este período distante
Mas o medo de ficar longe não
Sofrer tem um preço e até divido o valor
Caso contrário, encerro nosso breve contrato

Meu breve e caro amor
Sabes de um bom advogado?

Ricardo Melo

quinta-feira, março 05, 2009

Regra básica do amor

Quando acontece, simplesmente acontece
Essa é a verdade sobre o amor. Ponto.
Talvez reticências...
Por mais que use mil estratégias
Por mais que tenha experiência
O amor é inesperado, inexplicável
Quando acontece, simplesmente acontece
Quem diz que amor não tem regras está errado
Há a regra e ainda um complemento
Exemplo, dois pontos:
Se perceber que seus estímulos não possuem retorno
Que seus presentes, poemas e tentativas somente percorrem o caminho de ida
Prepare-se, pois o amor não é assim
Como disse uma grande amiga: não existe o amor de uma só mão
Ou seja, se só um ama, é porque não é amor
Na verdade, ainda não descobri um nome para isso
Mas amor, não é. Ela tinha razão
Se perceberes esse fenômeno em tempo
Transforme em amizade
Amizade, amor infinito
Muito bem definido por Machado de Assis: a amizade é como um círculo e como um círculo não têm começo nem fim
Entretanto, garanto que há grandes chances de perder o amigo e o amor
Porque houve demasiada exposição
Talvez seja tarde demais
Nem amor amigo, nem amor paixão
Amor é assim
Quando acontece, simplesmente acontece
E acontece entre dois.
Eis a regra e complemento.
Alguém prove que não, exclamação!

Ricardo Melo

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Nariz

Porque escrever sobre ele, logo o nariz?
Pode sorrir. Se me conhece ou me viu, sabe que o meu não é pequeno
Mas veja essa motivação por outro ângulo
Exceto de perfil
Entre duas bochechas, lindo e amado, encontra-se o nariz
Talvez você não perceba
Mas o nariz possui cheiro. Perfume diria.
Às vezes admiro o formato
Imagino o quão hábil é o nariz dela
Qual sua flexibilidade, textura
O que seria daquele rosto
Se ali houvesse um nariz diferente?
Alguma vez você já o tocou
Mas experimente com o dedo indicador e médio
Cruzando-os com pressão, deslizando do meio até a ponta do nariz
É uma terapia, a Terapia do nariz!
Não ligo muito para as narinas
Desde que sejam respeitosas
Sim, narinas que considerem a proporção com relação ao corpo do nariz
O corpo do nariz é todo o nariz, menos as narinas
Entre um beijo gostoso
Ninguém melhor que o nariz, cúmplice da paixão
Para estar entre as bocas
Quando aquele nariz toca, o meu nariz, meu rosto, meu corpo...
Que delícia! Um tato divino
Da pele do nariz e do ar suave lançado pelas narinas
E ainda me cheira
Várias sensações prazerosas compartilhamos nariz
Só você, só você
Como te venero
Já falei. Não! Não é porque tenho um nariz vistoso que escrevo isso
Simplesmente, amo o nariz que me faz feliz.

Ricardo Melo

domingo, fevereiro 22, 2009

A alegria do rimador

A maior alegria do rimador
É não achar a rima perfeita
Pois quando acontece a desfeita
Logo começa um novo texto
Para poder procurar o que rimar
Por isso, o fim desse texto não rimou.

Ricardo Melo

A única certeza...

Minha única certeza, é que as palavras escritas por mim serão mal interpretadas.
Mulheres pensarão que sou demasiadamente apaixonado.
Mas o que farei com estes poemas aqui jogados?
Darei a elas, fontes de inspiração, esperando um fio de compreensão.
Poeta exagera.
Paga pelas palavras que te fizeram feliz quando escrevesses.
E agora te deixam sozinho outra vez.
Sei que alguns dos versos eram verdadeiros.
Agora quais? Só direi a um amor por inteiro.

Ricardo Melo